'Portadores da Folia' faz o carnaval de deficientes em João Pessoa



Bloco teve dois trios elétricos, puxados pelas bandas Tuareg's e Acredite.



                                                                 Mesmo com a chuva os Portadores da Folia
                                                                 comemoraram os 19 anos do bloco
                                                                (Foto: Marina Magalhães/G1 PB)









Nem a chuva que caía na tarde desta terça-feira (14) impediu a aminação dos Portadores da Folia, tradicional bloco de pessoas com deficiência que desfila há 19 anos na beira-mar do Cabo Branco, em João Pessoa. A concentração do público começou às 15h, animada por dois trios elétricos, puxados pelas bandas Tuareg's e Acredite (do Centro de Atividades Especiais Helena Holanda). As atrações tocaram muito samba, axé e frevo, além do festejado hino do bloco - de autoria de Marcone Barbosa e Osvaldo Nery - que chama os seus foliões de “portadores baluartes da alegria”.
Vestido de Coringa, Bruno Dias, de 18 anos, estreou no Portadores da Folia nesta terça-feira (14). O jovem, que tem paralisia cerebral adquirida, foi acompanhado pela mãe e pela irmã gêmea, ambas no clima das caras pintadas e das fantasias. “Ele não gosta muito de sair de casa, mas por conta da fantasia acabou se animando”, conta Flávia Morais, mãe do rapaz que em outras festas de carnaval já havia brincado na pele de super-heróis. “Eu gosto do herói que age contra ele [Batman], mas todo ano me fantasio de super-herói e dessa vez quis mudar um pouco.”
Bruno Dias, que tem paralisia cerebral, estreou no
Portadores da Folia acompanhado da irmã
(Foto: Marina Magalhães/G1 PB)

Estudantes da Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), que abrigou o bloco em seu primeiro ano, programaram fantasias coletivas, confeccionadas pelas próprias professoras. Um dos palhacinhos do grupo era Pedro Ivo Costa, de 22 anos, que há pelo menos seis anos participa da festa.
“Essa é a primeira vez eu venho de fantasia, junto com os meus amigos da Funad”, contou Pedro Ivo. Ele pratica dança de cadeiras e é jogador de bocha, modalidades artística e esportiva oferecidas pela Fundação.
Quem não teve tempo de confeccionar fantasia, mas improvisou e caiu na dança com confete e serpentina foi Lilia Carvalhaes, de 21 anos, acompanhada pela amiga paulista Marcela Magdalena, de 27 anos, que conheceu na Associação dos Pais e Amigos do Excepcionais (Apae).

A funcionária pública Rossana Carvalhaes contou que a filha estava ansiosa para vir de fantasia, como todos os anos, mas a falta de tempo fez com que o traje fosse improvisado, com arranjos na cabeça, uma sombrinha de frevo e bastante maquiagem. “Apenas com essas coisas ela já ficou toda feliz. O importante mesmo é brincar”, conta a mãe de Lilia.

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